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Entrevista: publicitária lança livro de humor espírita PDF Imprimir E-mail
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Batalhadora e divertida, com estilo rápido e espontâneo de escrever, ela inaugura um novo jeito de se falar sobre o espiritismo. Através da personagem Laurinha, a autora analisa e explica o espiritismo de forma simples, sem recorrer ao excesso de justificativas, numa fórmula imbatível de comunicação: simplicidade, bom humor e precisão de conceitos.

“É claro que tudo na minha vida tem uma história”, diverte-se Tatiana. A surpresa, aliás, é outra marca registrada em tudo o que ela conta, conseguindo assim comunicar assuntos sérios de um jeito divertido e inteligente, numa tentativa clara de fazer-se compreender por adultos, jovens e crianças, não necessariamente espíritas.



Correio Fraterno – Você trabalhou muito tempo com crianças nos centros espíritas. Qual foi seu maior desafio?

Tatiana Benites Justamente aceitar o desafio. No início disse “não, não sei ensinar, sei brincar”. Mas resolvi assumir. Tinha que estudar muito mais e trabalhar de uma forma que as crianças entendessem mesmo o assunto proposto. Comecei, por exemplo, colando a história do espiritismo num baralho e fazendo jogos. Para entenderem melhor sobre o sonho, trabalhei com teatro. Para compreenderem o que é Deus e quem era Jesus, fiz circuito, onde as crianças passavam por cima de cadeira, debaixo de mesa, pegavam bambolê, buscavam frases, juntando tudo num grande quebra-cabeça. Adotei essa postura porque não me adaptava à proposta de aula convencional. Eu me colocava no lugar das crianças. Elas já passavam a semana inteira na escola e no final de semana queriam fazer algo diferente.


Como surgiu a ideia de escrever sobre espiritismo?

Sempre gostei de escrever. Cheguei até mesmo a ganhar concursos de poesia do Estadinho. Num encontro de comunicação social espírita, em São Paulo, fui convidada a escrever para o jornal Correio Fraterno. Eu estava representando o centro que  frequentava e também tinha interesse em buscar um tema sobre espiritismo para minha monografia. Queria conhecer mais sobre a comunicação no espiritismo.



E o que você encontrou de marcante?

Que no espiritismo o foco é muito grande nos livros e especificamente para o público espírita. Acho que as pessoas confundem o que é ser humilde, ou o não fazer proselitismo. Claro que não devemos fazer do espiritismo um produto à venda, mas a gente pode falar: o espiritismo existe, tem uma proposta interessante e está aberto para recebê-lo. E veja o que acontece: há a novela, o filme, a reportagem, com uma porção de erros doutrinários se propagando nos meios de comunicação de massa. Via o resultado disso com as crianças, que chegavam ao centro, sem base de estudo e com as informações sobre temas espíritas abordados nas novelas. Muitas vezes também, os pais frequentam o centro, mas não conversam sobre espiritismo com as crianças. Alguns têm até mesmo receio de falar de morte e espíritos com elas. Têm medo de assustá-las. Ora, como pode haver reencarnação se não tiver morte? Posso garantir que elas entendem. As crianças, por exemplo, questionavam nas aulas: “Como o menino da novela (Páginas da Vida – Rede Globo) conseguiu entregar a bola para a mãe que estava morta? Se a minha mãe morrer, eu também vou poder brincar com ela?” . É preciso deixar claro para eles que trata-se de uma novela, com todas as suas fantasias, onde tudo é adaptado para gerar mais suspense, para contextualizar melhor a história. O problema é que muitas coisas se torna uma ilusão, principalmente para as crianças. Penso que falta um trabalho de comunicação espírita mais específico.


Mas e a explosão do espiritismo na mídia, é positiva?

Na minha visão, isso é maravilhoso. Nós temos que fazer a outra parte da comunicação. Quando eu estava em sala, presenciava o interesse das crianças em assistir à novela, para poderem vir depois trocar ideias a respeito. Era uma delícia vê-las empolgadas, motivadas pela televisão.Todas as histórias que trazem o lado espiritual acabam instigando a criança para aprender mais sobre o assunto.


Diante do lançamento do seu primeiro livro, já dá para arriscar quem vai gostar, afinal, das peripécias da Laurinha?

Acho que todas as pessoas que têm bom humor . Os jovens e os adultos vão se divertir muito mais que as crianças. Laurinha tem dúvidas e não tem vergonha de perguntar.


E a dúvida sobre se tem espíritos no banheiro, como surgiu?

Ah, você acha que alguém vai ter coragem de fazer uma pergunta dessas para um expositor ou dirigente de uma casa espírita? (risos). Eu já havia pensado nisso. Uma amiga um dia também me perguntou se os espíritos estavam mesmo em todos os lugares...Achei que isso era um bom assunto pra Laurinha. Todo mundo tem as suas dúvidas.

O leitor não vai levar um susto?

Acho que é preciso se divertir, até mesmo aprender a rir de si mesmo. Chico Xavier já dizia que o humor era necessário na vida, um alerta para que nos alegrássemos.

A religião não deve ser encarada como uma postura, algo que se avalie externamente. É preciso descontrair.


Na sua opinião, o humor e a arte, por exemplo, podem ser uma boa opção de linguagem para a comunicação espírita?

Sim. Na minha visão, para quem não frequenta uma casa espírita, o espiritismo ainda é uma incógnita. Ainda tem que ser descoberto. Imagina-se de tudo. E há, também, dificuldades de comunicação nos centros espíritas. Estão sempre recebendo pessoas novas e não podem falar a elas como se já tivessem anos de estudo de espiritismo.

O que você acha que deveria ser feito com crianças e jovens nos centros espíritas?

Precisamos compreender que as crianças e os jovens têm que saber mais, para melhor se prepararem para o universo de coisas que estão acontecendo. Elas não se identificam com linguagens inadequadas, desinteressantes. E se frustram com o conteúdo, querem saber mais. É preciso entender que o jovem está no computador, antenado. Ele até pode ler o livro, desde que não seja um texto apenas adaptado para ele, mas uma leitura que tenha linguagem própria, que seja a dele e com a ela possa se identificar.

E, para concluir: as histórias de Laurinha vão continuar?

Sim, claro. Porque eternamente existirão dúvidas. Quanto mais dúvida, mais busca de conhecimento. E a Laurinha está aí pra isso.

 

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