Área restrita para assinante do CLUBE CORREIO FRATERNO.



  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
Assinante do CLUBE

Assinaturas

assine_correio

Enquete

Você assina algum jornal ou revista espíritas?
 

Saiu no Correio


selo-50anos

 

Espaço do Leitor


Saiba
aqui como publicar seus textos no Correio Fraterno

 

Livro de Visitas

 

livro-de-visitas

Passatempo

Confira as respostas do  passatempo do jornal

Newsletter

Cadastre-se e receba as principais notícias

Campanha SORRIA

sorria_e_compartilhe_alegria

Os 13 porquês PDF Imprimir E-mail

13 fob7nefPor André Trigueiro

Foram tantas pessoas – próximas ou desconhecidas – que fizeram contato pelo face ou por e-mail pedindo que eu escrevesse algo sobre a série da Netflix 13 reasons why (Os 13 porquês, baseado no best-seller homônimo lançado em 2007 sobre o suicídio de uma adolescente nos Estados Unidos) que reservei o dia de hoje para uma maratona cansativa assistindo aos filmes na telinha do computador.

Antes de compartilhar minha opinião sobre a série, segue um breve resumo do enredo (se você tem aversão a spoilers, pule os próximos dois parágrafos).

A série começa com um fato consumado: o suicídio da jovem Hannah Baker, e o cuidado que ela teve – antes de se matar – de registrar em 13 diferentes gravações as situações e os personagens que teriam de alguma forma contribuído para a decisão de se matar.

Bullying, drogas, depressão, assédio, homofobia, violência sexual e outros problemas recorrentes na escola onde Hanna estuda – e em tantas outras escolas pelo mundo – tornam a vida da protagonista uma experiência cada vez mais angustiante. Castigada por sucessivas decepções e frustrações, sem ter com quem compartilhar sua dor, ela se percebe subitamente sem saída. É quando resolve se matar.

Sou contra qualquer censura e não tenho competência para fazer crítica de cinema. Mas desde 1999 venho estudando o fenômeno do suicídio e um resumo desse trabalho encontra-se disponível no livro Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo (Ed. Correio Fraterno, 2015).

É assustadora a forma como a série da Netflix atropela várias recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre como se deve abordar o problema do suicídio em obras de ficção. A ótima ideia de expor o problema do suicídio entre jovens – um tema relevante que deveria inspirar mais roteiristas – ignorou alguns cuidados básicos indicados pelos profissionais de saúde especializados no assunto ("suicidólogos").

Poucas vezes no cinema uma cena de suicídio foi mostrada com tamanho realismo e brutalidade. É uma aula mórbida sobre como promover o autoextermínio numa banheira. Violência desnecessária, tragicamente didática e infortunadamente sugestiva.

Antevendo as críticas, a Netflix abre o capítulo com um texto onde se lê a seguinte mensagem: "este episódio contém cenas que alguns espectadores podem considerar perturbadoras e/ou podem não ser adequadas para públicos mais jovens". Será que funciona como álibi? Não para a OMS.

Após encerrar a maioria das gravações – em que aponta nominalmente os "culpados" por seu mal estar existencial – Hannah se sente melhor por ter "despejado tudo". Diz ela no filme: "senti que talvez pudesse vencer isso. Eu decidi dar mais uma chance à vida. Desta vez eu ia pedir ajuda. Por que sei que não podia fazer isso sozinha". É quando ela procura o profissional que oferece os serviços de "conselheiro" na escola onde estuda. Cria-se a expectativa de que finalmente Hanna terá a ajuda e o apoio necessários para sair do buraco em que se encontra.

A conversa com o conselheiro da escola é difícil, dolorida, e decepcionante. Hannah hesita em seguir em frente – principalmente quando o assunto é o estupro sofrido por um colega de escola – e deixa abruptamente a sala onde o atendimento acontecia, apesar dos apelos feitos pelo conselheiro para que continuasse a conversa. Ela fecha a porta, para do lado de fora e fica na expectativa de que o profissional saia da sala e a procure. Mas isso não acontece. É a derradeira frustração antes de cometer suicídio. Não sem antes deixar gravado o relato sobre seu desapontamento com o profissional da escola que não agiu exatamente como ela esperava.

A série é inspiradora – no mau sentido – para que jovens depressivos e angustiados não percebam outra saída que não a própria morte. Pior: sugere que suicidas em potencial registrem em gravações ou anotações os "culpados" pelos seus infortúnios, e punam através do suicídio aqueles que lhe faltaram quando mais precisavam. O suicídio como pretexto para se vingar de alguém, aliás, é um comportamento patológico. Mas a personagem principal da série não parece alguém que possua algum distúrbio. Pelo contrário. O relato sereno e lúcido de Hanna nas gravações sugere que o suicídio possa ser a resposta esperada, previsível, diante de tantas desilusões e sofrimentos. Será? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em pelo menos 90% dos casos, os suicídios estão relacionados a patologias de ordem mental, diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão.

Além do "Efeito Werther" (a constatação de que o suicídio é inspirador para pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente) a série da Netflix promove também a vitimização do suicida, justificando o autoextermínio de Hannah por tudo o que lhe aconteceu. Como se diante de tantas experiências dolorosas, não houvesse mesmo outra saída. Como se os outros – quando não fazem exatamente aquilo que esperamos deles – pudessem ser responsabilizados pelo suicídio de alguém.

Num mundo onde o suicídio é caso de saúde pública, e o autoextermínio de jovens vem aumentando de forma preocupante, espera-se que outras séries possam ser mais cuidadosas e responsáveis na abordagem do tema.

 

       André Trigueiro é jornalista, autor do livro Viver é a melhor opção (Ed Correio Fraterno)

 viver melhor opcao

 

 

 

Conheça os livros da editora

correio fraterno 

 

carrinho

LANÇAMENTO

ex lio

J.W.Rochester revela com sua reconhecida veia literária os bastidores das paixões que rondam a vida de ciganos e saltimbancos no início da Era Moderna. Tudo gira em torno do Grand Circo Monteverdi, onde Rosalva viverá inesquecíveis desafios.

 

 

 

 Autora: Arandi Gomes Teixeira

Espírito J.W. Rochester

 

ISBN: 978-85-98563-97-8
16x23 cm
  496 páginas

 

R$ 39,90


 

Correio nas redes sociais


issuu-logocute-twitter-logo

logo-youtube

facebook